Um Ménage Literário

Ménage à Trois

Vagando pela livraria Saraiva de um shopping ao lado de minha casa, me deparei com aquela sessão conhecidíssima dos amantes de livros menos favorecidos financeiramente, sim, nossa querida L&PM Pocket, a sorte dessa coleção, como também a coleção Companhia de Bolso e a Martin Claret, é que nos oferece bons livros por um preço bacana, o que às vezes é perigoso quando temos mais dinheiro porque resolvemos comprar logo uns três nessas sessões. De qualquer modo, olhando esta coleção, logo vi um livro que me chamou a atenção, não sei se era pelo título que atraiu minha mente suja ou pela capa com aquela cor vermelha vibrante, mas resolvi pegá-lo.

Quando folheei o livro de Paula Taitelbaum não a conhecia, mas logo adorei:

“Ela pega a bolsa, ajeita a blusa e vai/ vai correndo pela rua feito um trem/ sem olhar para nada nem ninguém/ sem feio vai enfrentando o atrito do ar/ Vai sem conseguir nem ao menos respirar/ Ela só pensa em alcançar aqueles braços/ percorrer com a língua todos seus traços/ Vai correndo porque quer penetrar em outra pele/ Fazer um gozo que a revele”.

Pena que eu tinha lido aquilo em voz alta, sorte que tinha lido em voz alta em um tom baixo. Não sei o que aconteceu, eu tinha pouco dinheiro no bolso, acho que no máximo 20 reais e ainda precisava comprar cigarro, mas resolvi “me falir”, peguei o livro lendo só um ou dois poemas para me convencer e o comprei.

Enquanto tomava um café me encantava ainda mais, me encantava não! Me excitava, com as palavras, é claro. E pensando que só ia encontrar poemas sexualizados, me espantei quando encontrei um que me tirou toda essa imagem sexual de Paula Taitelbaum da minha cabeça, página 190, mantenho marcado até agora, só para pegá-lo e ler quando me der vontade, mas vou postar aqui só no final, para dar aquele gostinho de interesse.

Bem, o mais legal do Ménage à Trois é que ele é completo, são três livros, para completar esse ménage literário, das três fases da autora, e o bacana é que quando você lê, realmente repara as diferenças, o amadurecimento, não digo em palavras, porque desde o começo ela escreve muito bem, mas sim das sensações, principalmente na última parte, Mundo da Lua, onde Taitelbaum mostra uma posição mais madura e realista, mas, ao mesmo tempo, sexualizada. A última parte é inédita, bem, pelo menos para o livro, e foi dessa parte que tirei o poema que apresentei mais acima, da parte do (Des)conhecidos.

Espero que gostem da dica, ela é deliciosa, Ménage à Trois é um livro bom de ler, leve e gostoso. O preço é ainda mais gostoso, aqueles 15 reais básicos para ter um livro como este. Queria poder trazer mais dados, talvez um site legal, site dela ou algo do tipo, mas realmente não acho, o máximo que eu acho são blogs postando poemas dela, e ai acho desnecessario ficar colocando aqui! Segue então com a parte que eu mais gosto.

Minha página 190:

“Que amores são estes de fim de mundo onde ninguém tem tempo pra nada nem de dar uma relaxada na hora da trepada que amores são estes que envelhecem tão precocemente impacientes que são de si mesmos tão indefesos que não se suportam nem se importam com a manutenção do tesão e onde as intenções são tão rasas que paixões não têm asas nem os sussurros ficam em casa que amores são estes tão egoístas consumistas e chantagistas sem chance de beijos na chuva ou cachos de uva que despedem-se sem saudades e escondem a idade só por vaidade que amores são estes que fazem tantos filhos mas deixam tantas falhas fazendo o que der na telha chamando ela de pentelha e ele de meu velho que amores são estes que mentem o salário machucam o ovário chamam de otário aquele que não tem dinheiro pro veraneio e onde a televisão é a maior comunicação e fonte de inspiração que amores são estes que dividem as contas do condomínio mas que não tem a mínima vontade de prestar contas e muito menos se dão conta de como é bom ter um amor que amores são estes de desinteresses e desempregados com flores de obrigação e gestos de perdão culpados pelo estado que chegam as coisas que amores são estes tão virtuais com toques nas teclas e retoques nas linhas onde olho no olho é um simples detalhe a internet é o novo boquete daqueles que querem prazer no ato que amores são estes que se irritam fácil e facilitam as coisas só para os que estão de fora e demoram para gozar e perceber que é preciso oferecer e perder e ouvir e permitir e facilitar e aceitar que amores são estes que gritam nas horas erradas que roubam a cena em uma noitada que transam sem preservativo para mostrar que são ativos que amores são estes do século mal passado mas que comemos só por que muitas vezes é só o que conhecemos?”

~ por Juliana em abril 28, 2010.

Uma resposta to “Um Ménage Literário”

  1. Depois que li o post, fica impossível não ter curiosidade sobre este livro. Esta na minha lista de futuras aquisições, sem sombra de dúvidas!

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