Te extraño

•junho 12, 2015 • Deixe um comentário

Sempre que penso em saudade, lembro que não existe expressão que mais represente esse sentimento do que a espanhola.

Te extraño

Saudade é como alguém que se torna um estranho ao longo dos anos. Depois de um tempo você não se lembra de muito, somente de sentimentos, de pequenas palavras que foram significativas durante sua conexão.

Você tenta se lembrar dos cheiros, mas nada vem. As roupas não mais os guardam. Tenta se lembrar do calor do corpo, mas ele não existe, porque não há mais corpo. Se esforça ao máximo para se lembrar da voz, mas só consegue ouvir as risadas – porque elas eram as mais importantes.

Aos poucos tudo parece uma fotografia gasta. Te extraño. Não quero que você seja um estranho, mas como pedir de volta alguém que já teve seu caminho traçado? Não gosto da palavra fim e, se eu estiver terrivelmente errada sobre a imortalidade da alma, espero que meu cérebro mostre seu rosto antes de eu morrer.

O que me alegra (quase nada, mas ainda sim é um começo), é que eu ainda me lembro de você quando vejo o entardecer. Não porque passei inúmeros esparramada em sua cama, vendo-os da janela do seu quarto enquanto ouvia os roncos do seu corpo, mas porque sempre me lembro de você quando vejo coisas belas.

E espero que, em algum lugar do universo, você ainda possa olhar em minha direção, ouvindo minhas pequenas orações de amor e de saudade.

Te extrãno.

Contos de Nova York

•agosto 5, 2010 • Deixe um comentário

FilmeAs melhores dicas de filmes, bandas e artistas acontecem quando as pessoas estão envolta de uma mesa vagabunda tomando cerveja até os olhos começarem a falhar. No meu caso não é diferente, graças as diversas conversas de bar, conheci coisas que nunca tinha ouvido falar, algumas que já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha testado para ver se a qualidade, por assim dizer, era boa.

Esse é o caso do filme que indico hoje, depois de mais de um mês (para variar) sem postagem, finalmente tomei vergonha na cara para escrever algo. Esse filme foi indicado pelo meu chefe, Mauricio Bonas e obviamente não é do meu tempo, mas isso não vem ao caso.

Conversando sobre a vida e besteiras a mais, ele me citou um filme que tinha quase certeza que seria do meu gosto, principalmente pela trilha sonora mais do que fantástica da primeira parte e a história de vida da segunda parte.

Contos de Nova York, como já diz o título, envolve três curtas feitos por grandes nomes do cinema americano com o mesmo cenário, Nova York, porém com histórias totalmente diferentes. O Filme começa com Martin Scorsese, indo para Francis Coppola e terminando em Woody Allen.

O primeiro conto é o Life Lessons (Lições de Vida), dirigido por Martin Scorsese:

Lionel Dobie (Nick Nolte) é um famoso artista plástico fanfarrão e maluco (como todo artista que se preste) que se encontra apaixonado por Paulette (Rosanna Arquette), sua assistente e supostamente namorada que planeja abandoná-lo. Ele faz de tudo para consegui-la por perto, mantê-la mesmo que sob tortura. O enredo continua com as maluquices artísticas dele, ao som de Procol Harum e outros grandes nomes do rock clássico e suas maluquices de amor. O que ele não nota é que essas maluquices só fazem Paulette se distanciar mais. Ela é jovem e cheia de planos que aos poucos foram destruídos pela vida real e pelo convívio com Lionel. E ele não nota que o que ela, na realidade, não é o “grande amor de sua vida”, mas sim sua musa inspiradora e que como toda musa, uma hora vai embora.

O segundo conto é, em minha opinião, o mais fraco. Dirigido por Francis Coppola, “Life Without Zoe” (Vida sem Zoe) tem um ar infantil e maduro ao mesmo tempo:

Zoe (Heather McComb) é uma garota rica, mora em um hotel e tem a cabeça de uma pessoa de 30 anos de idade, ou pensa que tem. Veste-se como tal, a propósito. Como a maioria das garotas que vivem a vida com pais ausentes, ela aprende a se virar com a ajuda de um amigo do hotel. Mesmo com os pais longe, ela mantém as lembranças das poucas vezes que estiveram juntos, como quando seu pai tocava flauta para ela antes de dormir.

O terceiro e, obviamente, mais divertido, é dirigido por Woody Allen, chama-se “Édipo Arrasado” e traz, como de praxe, Woody Allen como o ator principal, vivendo Sheldon Mills.

Sheldon é um homem já na base dos seus 40, porém bastante complexado com a sua mãe superprotetora e reclamenta. Daquelas que falam “leve um casaco”, mesmo quando está um sol de 30 graus lá fora. Em conversas com seu psicólogo, Sheldon conta que não suporta mais isso, pois agora está em um relacionamento sério, pretendendo se casar, e morre de medo de apresentar sua noiva a sua mãe. Sabe que no momento que a encontrar, todos os papos de mães super protetoras vão voltar: As fotos de infância, Histórias embaraçosas, ex-namoradas fantásticas, doenças ao longo da vida, etc. E ele está certo. Quando que sua vida não pode piorar mais, Sheldon leva sua mãe, sua namorada e os dois filhos dela para o circo. No meio de um dos espetáculos, o mágico pede uma ajudante, pegando a Sra. Mills para tal. O problema é que no meio do truque, a mãe de Sheldon some e não aparece mais.

Sheldon pensa que finalmente sua vida terá paz, mas o tormento piora quando sua mãe começa a aparecer em todos os lugares para importuná-lo.

O filme todo vale muito a pena, difícil de ser encontrado em qualquer locadora, afinal em 1989, quando o filme foi lançado, não se tinha nem a vaga ideia do que seria DVD. Você consegue muito mais fácil por VHS, mas o problema é ainda ter um tocador de VHS em casa sobrando. Caso o contrário, em locadoras grandes, como a 2001, ou a Home Video, você consegue achá-lo em DVD.

Espero que gostem da dica. A baixo deixarei um vídeo do primeiro conto, mais dados sobre o filme e a crítica de Pablo Villaça, do Cinema em Cena.

Dados sobre o Filme

Crítica de Pablo Villaça

Minha história com Freddie Mercury e a nova biografia escrita por Selim Rauer

•junho 23, 2010 • 7 Comentários

Nova biografia

Tudo começou em 1995, eu não me lembro se tinha 4 ou 5 anos, mas penso que ainda 4, porque foi na mesma época que era terrivelmente viciada em Mamonas Assassinas. Mas minha paixão maior era outro, um bigodudo, magro, glam rock, que usava calças coladas e coletes coloridos e tinha a presença de palco mais incrível que o mundo da música já viu. Sim, Freddie Mercury, foi ai que eu conheci, com seu disco póstumo, Made In Heaven, quando nem falar direito eu falava, muito menos inglês, por isso toda vez que cantava Heaven for Everyone, tudo saia errado.

Quando criança eu ainda tinha em mente que Freddie era vivo, um príncipe que um dia eu ia conhecer. Depois de compartilhar essa ideia com meu pai que descobri que meu príncipe encantado na realidade era uma rainha e que tinha morrido em 1991, quando eu mal tinha completado um ano de idade. Se esse dia foi um choque para mim? Foi um choque maior que descobrir que Papai Noel não existia, para mim Freddie Mercury era mais importante que qualquer outra coisa, só não superava minha família, o resto podia desaparecer, mas eu queria meu Freddie Mercury comigo.

Quando estava na adolescência li um artigo na revista Super Interessante falando que quando você morre, você encontra a luz e quem vem te buscar é a pessoa mais importante para você. Em minha mente, quando eu morresse meu avô e Freddie Mercury iam me buscar e eu poderia abraçá-lo e agradecer pelos anos que tive escutando suas músicas.

Se eu estava a ponto de ser doente? Até pode ser. Mas eu realmente nem me importo com isso. Há alguns meses encontrei na livraria um livro que me chamou a atenção. Freddie Mercury por Selim Rauer. Quando recebi meu primeiro salário a primeira coisa que fiz foi comprá-lo. Caro. 50 reais. Mas nunca gastei tão bem um dinheiro.

Ainda estou na metade dele, confesso, porque comecei ontem e não tive tanto tempo para devorá-lo, mas o pouco que eu li fez com que eu voltasse a escutar a discografia inteira dele que tenho aqui no meu PC (pretendo ainda tê-la em vinil e em CD).

O livro conta o começo desse astro, desse homem que nem tenho palavras certas para descrevê-lo. Farrokh Bulsara, uma criança que nasceu em Zanzibar e que desde cedo viu sua paixão pela música e colocou isso em sua cabeça, até que conseguisse. E isso demorou, quem vê esse cantor nunca imagina que alguém como ele sofreu tanto para conseguir seu sonho realizado e mesmo depois de realizado, sofreu por outros motivos. Principalmente por ser apaixonado e entrar de cabeça em tudo que ele achasse que valesse a pena. Além de contar da grande amizade dele com Brian May, Roger Taylor e, a pessoa que se tornou seu grande amigo e confidente, John Deacon. Além de falar do único amor do cantor e compositor, Mary Austin.

O livro vale tanto para fãs do Queen e do Freddie Mercury como eu, como para admiradores ou simplesmente amantes de livros biográficos. O livro conta no começo sobre quesitos históricos de Zanzibar, o que o torna ainda mais interessante e deixa citações de outros livros sobre o mesmo assunto, como o livro de Jim Hutton, assistente de Freddie por anos, “Marcury and Me” ou o livro do próprio Mercury (mais ou menos, claro), “A life in his own words” (se alguém quiser me presentear, esse último eu realmente aceito).

E para quem se interessou, no final do livro ainda tem uma lista da Discografia inteira do Queen e a Discografia solo de Freddie Mercury. E agora no momento pirata do dia, você pode encontrar a discografia em Torrent no site do IsoHunt e do livro? Bem, esses vocês vão ter que comprar, porque nem aquele lance de primeiro capítulo em PDF eu achei, mas deixo dois trechinhos.

Quando Mercury é questionado sobre sua sexualidade:

– Senhor Mercury, o senhor prefere ir para cama com homens ou com mulheres?
– Com os dois, meu caro. Também tenho gatos; vou para cama com os três… e você?

Quando um jornalista de televisão perguntou a ele, alguns anos antes de sua morte, o que esperava deixar depois de sua morte:

Quando estiver morto, gostaria de ser lembrado como um músico de certo valor e substância. Não sei como as pessoas se lembrarão de mim. Ainda não pensei nisso – morto e desaparecido… Não, ainda não me preocupei com isso. Não vejo a mim mesmo perguntando: “Meu Deus! Quando eu não estiver mais aqui, será que ainda se lembrarão de mim?”. Isso não é problema meu, só diz respeito aos outros. Quando estiver morto, quem se preocupará com isso? Seguramente, não eu.”

Mas definitivamente todos seus fãs sim. Freddie Mercury depois de 19 anos morto, ainda é lembrado e desejado. Ainda é saudado por sua voz única, sua interpretação incrível e seu bom gosto espetacular. Ele é mais do que um artista, é o que uma fã pode dizer sobre ele.

Quer um site bom sobre Queen e suas novidades? Queen.Net é minha dica.
DVD legal e emocionante? Freddie Mercury Tribute

Ok, esse porque todo mundo deve concordar que é um dos melhores clipes da banda, além disso o Roger Taylor fica uma mulher muito gostosa!

Ensaio sobre a Cegueira (livro e filme) e Documentário Janela Da Alma

•junho 19, 2010 • Deixe um comentário

Como todos já devem saber, o grande escritor José Saramago faleceu hoje, aos 87 anos, deixando seu legado literário para trás. Por esse motivo, lembrei-me de um artigo que escrevi há um ano sobre seu livro, Ensaio sobre a Cegueira, relacionado ao documentário João Jardim e Walter Carvalho, Janela da Alma, por acaso um documentário que eu realmente recomendo.

Segue a baixo o artigo e espero que gostem.

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Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem. (Saramago, p. 310).

José Saramago, autor de “O Ensaio sobre a Cegueira” e ganhador do prêmio Nobel de Literatura, não apresentava grandes esperanças em tornar um filme o seu livro, afirmava abertamente durante mais de dez anos que sucederam o livro que o “cinema destrói a imaginação”. No entanto não chegou a negar a possibilidade de Fernando Meireles embarcar na produção cinematográfica de seu livro.

O estilo que o livro é escrito, pode ser considerado cansativo, Saramago pediu que a grafia utilizada em seu trabalho fosse mantido, o estilo sem parágrafos, sem falas demarcadas, sem capítulos, simplesmente reto, contínuo, pode deixar o leitor um pouco confuso no começo da obra, se perdendo entre linhas e acontecimentos, como quem está falando e com quem aconteceu tal fato. Ao decorrer do livro repara-se que esse é o modo mais intenso de manter a concentração do indivíduo focado somente em sua obra, entrando em um mundo trágico e bárbaro, nojento, revoltante. Envolve-se com os personagens, principalmente com a única personagem que não perde a sua visão, a mulher do médico oftalmologista, a única que pode guiar um grupo de cegos e que mesmo vendo, sente-se como se fosse a única realmente cega no meio daquela confusão.

A crítica intensa que o autor quis demonstrar é o principal motivo que deixa os leitores revoltados, é a idéia da cegueira real, a cegueira branca, mesmo tendo a visão, não se enxerga além do que queira ver, perdido em uma sociedade que cria tantas coisas, mas não compreende a metade de suas criações. Um mundo veloz, que não se pode parar para observar os fatos simples, um excesso de informações, que não permite um aproveitamento total do que é visto, não somos capazes de prender inteiramente nossa atenção.

No documentário “Janela da Alma”, Saramago diz que nunca foi tão bem posta a teoria da Caverna de Platão, vivemos em um mundo Audiovisual, que impedem nossa criatividade e a nossa capacidade de observar. O cineasta Wim Wenders também sugere em seu ponto de vista para o documentário que o cinema hoje em dia não permite a imaginação, as imagens são postas em nossas frentes, já completamente formadas.

No entanto no filme Ensaio Sobre a Cegueira, já é visto que a intenção principal não era formar um filme qualquer, e sim realmente captar a crítica que é observada no livro para o filme. Fernando Meirelles conseguiu captar tais traços, sendo elogiado pelo próprio autor da obra. Com a ajuda de uma fotografia fantástica de César Charlone que conseguiu de modo incrível transportar para o mundo do cinema a cegueira branca, leitosa que imaginávamos dentro do livro.

Além dos personagens que imaginávamos de suas próprias formas, agora criando uma identidade, algo que talvez não seja o que era desejado, afinal a intenção do livro é de supor que cada leitor se encaixe com o papel de um personagem. Meirelles pode “brincar” com as imagens dentro do livro, como o fato de um chinês ser o primeiro cego, junto com a sua mulher.

A interpretação e, conseqüentemente, a comparação destes dois projetos, muda de acordo com a ordem que se é trabalhada. Sempre é uma boa dica primeiro observar a obra original para depois se aprofundar em sua adaptação, pois assim pode-se “navegar” com as imaginações, com as interpretações e com o senso crítico de cada pessoa.

Em meios críticos o filme nunca será perfeito, primeiramente porque tem a ordem literária modificada para que dê harmonia para a obra cinematográfica, como houve a morte do ladrão, antes de mais de 200 pessoas chegarem ao hospício. Como o cego malvado da ala 3 se apresentou e como ele agiu. Vários fatos foram dados em outra ordem para que o filme se tornasse mais dinâmico. Além disso, pode-se sentir uma esperança, como se essa cegueira, que transforma o homem em um ser irracional, animalesco, um dia fosse mudar.

Na obra original a ânsia e a aflição são maiores, o tempo passa mais devagar e os fatos nos causam mais nojo, agonia. A cegueira branca, essa cegueira social é mantida durante toda a obra para que não esquecemos da tragédia que a vida humana se tornou. O livro liga mais o cérebro para a imaginação e a crítica, criando teorias e se envolvendo em um espaço único, em um mundo paralelo. O filme é um meio frio, não aprimora tão intensamente esta criatividade e por conseguinte, esta visão crítica e filosófica.

Omelete sobre o filme Ensaio sobre a Cegueira

Cine Argumento sobre o filme

Cinéfilos sobre o filme

Resenha do livro

Cinema em Cena sobre o filme

Dados e sinopse do documentário

Saramago se emocionando ao assistir a adaptação de seu livro

Trecho de Saramago no documentário Janela da Alma

Saia dos vampiros

•junho 14, 2010 • Deixe um comentário

Pocket Book

Pocket Book

É a segunda vez que me esforço para escrever sobre livros aqui no blog. Primeiro queria realmente me desculpar pela demora absurdamente longa que tive para postar essa nova “matéria”, mas me parece que, como o blog era um projeto de faculdade, por eu já ter recebido a nota (um belo de um 9, diga-se de passagem), acabo tendo uma preguiça maior para me focar nisso. E como agora eu estou com mais preguiça de trabalhar do que escrever, então resolvi postar.

Chega de delongas, dessa vez vou falar de seres místicos (ou nem tanto). Todo mundo já deve estar farto de escutar sobre vampiros, Twilight, Eclipse, Vampire Diaries, etc, etc, etc. Por isso mesmo vou sair dos vampiros (que confesso que amo muito) e entrar nos lobisomens.

Pasme, existe vida além de Jacob e ela se chama Elena Michaels.

Elena é a única lobisomem (ou devo dizer lobsmulher? Horrível) existente nos livros de Kelley Armstrong, uma escritora canadense que apareceu em minha vida no final de 2008.

A personagem é protagonista da série de pocket books, Women of the Otherworld. Metade dos livros da série é sobre bruxaria e outra metade sobre os lobos. Confesso que só li o primeiro da série de lobos, chamado Bitten, por isso vou me focar somente nele para não falar besteira.

Elena Michaels é uma jovem loba cansada do que é, principalmente por ter sido transformada sem ela querer ou sem ela saber que existiam lobisomens. O homem que a transformou chama-se Clayton Danvers, um lobo que foi transformado logo cedo e que só sobreviveu por ser incrivelmente forte e decidido. Um dia Danvers de apaixona por Elena, a humana legal. E um dia Danvers resolve morder Elena, sendo que ele sabia que nenhuma mulher sobrevive a transformação de humano para lobisomem.

Desde então Elena e Clayton vivem em uma relação de amor, ódio e sexo selvagem. O que torna a história ainda mais divertida. Cada lobo tem um ponto principal que o torna fundamental para a equipe, no caso de Elena é a sua capacidade para localização. A personagem por muito tempo aceitou essa função, mesmo a odiando, até que um dia não aguentou mais e resolveu sair do lugar onde todos os lobos vivem felizes e contentes e sexualmente tarados pela única loba do pedaço.

É ai que ela resolve morar em Toronto, uma cidade civilizada onde humanos vivem sem saber que lobos, vampiros ou qualquer outro ser do tipo exista. Ela até tenta entrar em um relacionamento, mas a coisa nunca é real e o pior momento é quando Elena precisa caçar, explorar seu lado lobo. Kelley narra de um jeito a transformação que me deixava um pouco arrepiada e com dor, não parecia algo tão simples e agradável que vemos em filmes por ai.

Quando ela pensava que a “família canina” dela tinha finalmente parado de a procurar, uma série de assassinatos começam a acontecer na cidade e ela é obrigada a voltar para onde não nem pensava em voltar. Enquanto ela entra em um clima de mau humor e “o que diabos eu to fazendo aqui de volta”, o resto dos lobos comemoram a volta da “irmã” par o seio da família. Não é de se espantar que o mais feliz nessa história seja Danvers, que começa a tentar de diversas formas diferentes como reconquistar Elena e mostrar a ela que eles foram feitos um para o outro. Uma dessas tentativas é um sexo selvagem no mato com ele a prendendo pelos braços e a torturando sexualmente. Nem sei porque esse trecho do livro marcou a minha mente, viu?!

A partir de então a história se move de acordo com as mortes, que fazem que a paz dos lobos seja cada vez mais destruída. Aparentemente são os “membros da oposição” querendo dominar tudo. Elena mesmo não se aceitando e não aceitando os outros, não consegue negar que, de algum modo, aquela pseudo-liberdade lhe faz bem e que caçar e perseguir são coisas feitas para ela. Isso a faz esquecer que tinha deixado um namorado, uma família e um trabalho em Toronto.

Sobre características do livro, ele é curto e é pocket e só tem um livro da série toda com tradução para português, por sorte é o Bitten, que no tupiniquim se tornou Fome de Loba (horrível título), de 391 páginas, R$ 54,90 na Saraiva, mas que em inglês, para quem manja da língua, custa R$ 17,70.

Quer ler o livro? Baixe no 4Shared

Conheça o site da autora

Música de Rua

•maio 31, 2010 • 1 Comentário

Quem é de São Paulo e costuma frequentar a Paulista e a Augusta a noite, provavelmente já deve ter visto Rafael Pio, um guitarrista de fazer qualquer um bater palma. Eu o conheci, quer dizer, escutei seu som, ano passado enquanto buscava algum lugar na Paulista para me sentar e tomar a vodka que tinha comprado com meu amigo e ai escutei Rafael tocando Bohemian Rhapsody como se fosse algo simples de se fazer, e o mais absurdo é que ele não tocava só a parte da guitarra da música, mas também fazia a voz, bateria, baixo, tudo isso só numa guitarra.

Na última sexta-feira, enquanto esperava meu amigo chegar para sairmos, encontrei Rafael mais uma vez tocando sua guitarra do lado do Metrô Consolação, como sabia que teria que esperar no mínimo meia hora, me sentei no chão mesmo, acendi um cigarro e fiquei escutando ele tocar.

Rafael ficava brincando com as pessoas que passavam na rua sem repará-lo direito, fazendo um assobio com a guitarra e depois tocava aquelas músicas de pegadinha de televisão e fazia a pessoa que tava passando rir. Se alguém lhe pede algum som, ele não tem problema em tocá-lo, mas a coisa dele mesmo, pelo que pude reparar, é a improvisação, ele gosta de ficar dedilhando a guitarra mostrando o que sabe fazer.

Como todo artista de rua, a primeira coisa que você repara depois da guitarra é a cartola no chão para que o “público passageiro” dele jogue alguma coisa e tem gente que gosta tanto que joga até nota alta, naquela sexta-feira vi pelo menos duas notas de 10 sendo jogadas na cartola.

Rafael Pio é um dos mais completos artistas de rua que encontrei por ai, fuçando pela net vi que Pio também é artista circense e já participou de vários circos e aprendeu alguns truques nessa experiência. Com mais de 16 anos de treino, ele faz até brincadeiras que eu duvido que muito guitarrista considerado fodão por ai faça, como tocar encima de um patins, dando rodopios e brincando a vontade.

Eu selecionei alguns vídeos para vocês darem uma conferida e repararem que eu não estou exagerando quando falo que ele é bom e se quiser ver ao vivo, só passar um fim de semana lá pela Paulista, sempre que o encontro ele tá por lá, bem no comecinho, lá perto da Consolação, às vezes na virada da Paulista com a Augusta. Espero que gostem da dica!

Destino – A Disney Surrealista

•maio 31, 2010 • Deixe um comentário

Provavelmente não estarei apresentando nada novo a vocês hoje, mas eu realmente queria falar desse vídeo que eu vi ano passado. Eu não fazia a menor ideia que Walt Disney uma vez em sua vida contratou Dalí para algo e quando encontrei esse vídeo ano passado vasculhando notícias pela net, meu queixo caiu.

Eu sempre gostei de arte e Dalí é aquele tipo de pintor que você se apaixona imediatamente se gosta de surrealismo do jeito que eu gosto. E isso muitas vezes vem de família, eu era realmente pequena quando conheci os famosos relógios derretidos, porque minha mãe resolveu me mostrar uma figura em seus arquivos guardados. E Walt Disney, faz nem um mês que eu fiz aquele post enorme sobre as músicas das animações da Disney.

O curta Destino foi um projeto de Walt Disney, o cara, não a empresa, isso em meados de 1945, mas que teve que ser fechado por motivos financeiros tudo devido a II Guerra Mundial que deixou a empresa numa situação nada agradável naquela época. Muito tempo depois, em 1999, com Walt Disney já morto há 33 anos, seu sobrinho Roy Edward Disney (que morreu em dezembro do ano passado) encontrou o projeto de seu tio enquanto fazia o filme Fantasia 2000 (que eu sei que assisti no cinema, mas não me lembro bulhufas dele) e resolveu por a mão na massa, fazer a coisa acontecer.

Depois de muito trabalho, 25 animadores, mais a ajuda da viúva de Dalí, o curta teve sua estreia em Junho de 2003, mesmo muito bem recebido, o filme acabou sendo esquecido pela Disney por muitos anos.

Bom, sobre o curta, Destino conta a história de Chronos (a personificação do tempo na mitologia grega) e sua paixão por uma jovem mortal de cabelos negros. A história segue com as imagens surrealistas de Salvador Dalí, transformando-se numa linda história de amor, curta, de somente 6 minutos, mas que se torna mais especial pela delicadeza e beleza do que um filme de duas horas em qualquer cinema.

O curta só foi lançado para o grande público, por assim dizer, em 2008, quando a Disney fez um DVD duplo dos tesouros da empresa (“Walt Disney Treasures”) e ai Destino foi colocado junto a esse DVD.

É um pouco chocante para pessoas como eu, acostumadas a Disney e seus desenhos animados infantis, encontrar algo tão maduro e lindo como é o Destino, a música que toca no filme fica por conta de Armando Dominguez, um compositor mexicano e dai que vem o nome do curta (acho, foi o que eu li).

Bom, de brinde e torcendo para não ser processada por isso, estou deixando disponível o vídeo para vocês conferirem, se é que já não conferiram há pelo menos um ano atrás. Também deixo um post legal no Blogpaedia, que tem até mais informações do que eu coloquei aqui, falam também sobre os prêmios que Destino ganhou (Melhor Curta em Melbourne/Austrália e no Rhode Island Internacional/EUA, além de ter sido indicado ao Oscar na categoria curta-metragem de animação em 2003.

Blogpaedia

Site Collectors Editions sobre a arte em Destino

IMDb